And He's gone...


Afinal houve! Tenho o meu estômago às voltas, as minhas mãos não param de tremer, o meu rosto parece que esqueceu o guarda-chuva, os olhos parece que vão saltar e sinto um frio com o corpo quente. Não consigo falar, as palavras não saem. O caminho para o trabalho pareceu-me a primeira vez. Tinha acabado de almoçar quando a campainha toca e a minha mãe foi atender. Era ele, chegou e deu-me aquele abraço. Aquele aperto que senti, não foi do abraço, foi de saber que ali começava uma distância. E parece que tudo desabou mesmo que, ao mesmo tempo tentei não transmitir. Ao chegar ao carro estava a mãe, que olhou para mim com aquele olhar de partilha de distância, ela percebe-me. No meio da conversa e do silêncio ela "estou à espera do ultimo beijo" e aí (fizemos todos um sorriso amargo) deu um nó tão grande que não mais falei. E ali no meio da rua, tudo parou, não vi ninguém, não ouvi ninguém, senti o abraço e o beijo. E num ápice, mesmo antes de deixar cair a primeira lágrima com ela a olhar para mim desapareci no meu carro vendo-o desaparecer a ele. Como dói.

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