Manuel Forjaz em Alta Definição!

Acabei por ver ontem à noite a entrevista no Alta Definição a Manuel Forjaz. Aquele murro no estômago foi tão sentido que tive uma noite péssima entre o não conseguir dormir e andar ali às voltas a pensar numa doença de um fdp de um bicho que anda por aí.


Manuel Forjaz tem cancro do pulmão há cinco anos e luta com uma vontade de querer viver mais um pouco. De uma inteligência bem notória e vontade de aprender, talvez isso lhe traga o entendimento e percepção como diz do amanhã ser provavelmente curto mas que seja o melhor possível.Há milhares de pessoas que sofrem infelizmente desta doença, a melhor maneira de lutar com ela é não deixá-la ser o único ponto da vida.



"Eu provavelmente morrerei da doença, mas o que nunca acontecerá, é a doença matar-me"



Manuel Forjaz

Comentários

  1. Confesso que não conheço o Manuel Forjaz mas vi a entrevista, foi daqueles momentos arrepiantes, primeiro pela capacidade do entrevistado em não transformar a entrevista num vale de lágrimas como é apanágio do Alta Definição.
    Aliás esta entrevista veio demonstrar como outras entrevistas no mesmo programa em que os entrevistados choram por coisas sem importância nenhuma não passam de Fait Divers.
    A lucidez com que este homem enfrenta a doença, a crueza com que explica a sua própria realidade, o conhecimento que demonstra ter sobre as alternativas deixou-me completamente de boca á banda.
    Trabalho numa área em que nos cruzamos com este tipo de doentes, e a lucidez e desprendimento com que o entrevistado fala é típica de nós, profissionais, que temos que manter um certo distanciamento afetivo com os pacientes.
    A verdade é que na sua doença, o Manuel é uma pessoa de raciocínio extremamente saudável, que já aprendeu a valorizar aquilo que realmente é importante.
    A forma como admite não ter dinheiro, a forma como admite precisar dos amigos, a forma como descreve a dor escala 10, é algo de muito comovente, especialmente quando temos a noção dessa escala.
    Durante a entrevista pensei muito na família e na forma como indiretamente a expôs, o que só me leva a crer que é uma grande família, e que está acompanhado de uma grande mulher.
    Gosto de pessoas assim, que conseguem apesar de todo o sofrimento, pensar com lucidez, agir com lucidez.
    Por último salientar a forma como falou da morte, a morte é algo que não me mete medo, é um assunto do qual me apetece falar ás vezes, deixei de o fazer exatamente porque as pessoas que nos rodeiam não gostam de falar da morte, o Manuel fala dela sem qualquer medo, sem qualquer pudor ou tabu, porque essa é a realidade dele, porque cada dia que passa é uma vitória, porque sabe conscientemente que é aquilo que tem de mais provável na sua vida.
    Gostei, porque se conseguiu ver o drama do cancro sem que a entrevista se tornasse um drama de choros e lágrimas, sem que por um único momento se perdesse a noção daquela realidade.
    O Manuel está de parabéns pelo testemunho de coragem e lucidez. 

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    1. Lovenox para primeira abordagem pensei logo isso, a parte de mesmo com tanta emoção numa entrevista, não nos passou aquele dramatismo que muitas vezes é propício destas entrevistas. Mesmo no momento em que a pergunta passou por alguma vez ter pensado em desistir, a emoção foi ainda maior notou-se mas de uma maneira cuidada e objectiva respondeu.
      É de facto um homem que transparece uma aprendizagem grandiosa e um conhecimento abastado sobre a doença.
      Acho mesmo que quem consegue "safar-se" melhor é quem consegue ter esse distanciamento do final que infelizmente é o mais verídico para esse tipo de doenças, mas que luta pela excepção, ou por um adiamento do fim aproveitando o melhor que tem a seu lado e na sua vida. Mesmo para os que lhe são próximos, as emoções inerentes a estes casos são muitas vezes potenciadoras do desfecho final, isto é, quem à partida é mais negativo e mais "fraco" é automaticamente mais absorvido pela própria doença e ele luta para que não seja ela o umbigo da sua vida e passa isso aos outros. Para quem está nesta situação, acredito que pessoas positivas, com um sentido de humor pelo "mal" que lhes está acontecer sejam pontos de luz sobre elas mesmas.
      O facto de admitir a necessidade do amor e do carinho da familia, da mulher e dos filhos, e dos amigos é  ter a consciência que aqueles ombros são essenciais para melhorar o tempo de vida que tem. A morte é uma porta que está ali à frente, de todos nós, mas são mais felizes aqueles que aceitam que ela está lá, mas antes disso há ainda muita vida pela frente, independentemente de a morte estar ali dois dias à frente, meses, ou anos...
      Eu gostei muito do que ele passou para o lado de cá, sem vitimizações e sem filtros, com muita coragem e isso mesmo, lucidez!

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  2. Olá,


    Eu já conhecia o Manuel, de várias entrevistas que ele tem dado, também já li o seu livro e acompanho o programa dele na TVI 24, por isso não fiquei tão impressionada com esta entrevista no Alta definição, o que não quer dizer que tenha sido uma óptima entrevista, em parte pelo trabalho do Daniel Oliveira, mas também porque o Manuel é um óptimo comunicador e consegue falar da doença que o persegue sem dramatismo.


    Mimi

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    1. Olá Mimi!

      O Testemunho e esta partilha do Manuel fez-me ver a lucidez com que se tem uma doença, um mal, uma barreira quase intransponível e se lida com isso de maneira a que ainda aprendam que isso vai condicionar a nossa vida, mas não pode ser a condição. Achei uma entrevista muito bem conseguida com pontos essenciais do que se pode aprender com alguém que vê a sua doença em milhares de outras pessoas que passam pelo mesmo e que transmite sem dramatismos o lidar com ela no dia-a-dia, com os seus e perante um final que existe, que provavelmente é o pior dos cenários para quem quer viver, mas que tenta que não condicione o momento,  presente, o hoje de maneira total.

      Sê bem-vinda!

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  3. Respostas
    1. Infelizmente faleceu já depois de eu escrever este post. Ele foi e continuará a ser uma inspiração ;)

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  4. Ainda não vi a entrevista mas até tenho medo. O meu pai e mais alguns familiares dele (irmãs e primos) vão fazer uns exames para saberes se tem probabilidade de ter cancro uma vez que há muitos casos na família e os médicos querem detetar se é genético. Se o meu pai der positivo também os terei que fazer. Digo a toda a gente que se tiver que os fazer vou logo e é verdade, mas estou cheia de medo disso

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    1. Ana, acredito que não seja fácil pensar nisso nem ir a correr fazer exames sabendo-se que há partida há probabilidade de não se ter ou ter-se. mas acho que o melhor nestes casos é encarar de frente o mais cedo possível todas as hipóteses e lutar por isso. Pode não ser nada e esses medos magoam-te. Espero que não seja mesmo nada e qualquer coisa estou aqui, às vezes é mais fácil desabafar para este lado, do que com os que nos estão mais próximos mas que às vezes não entendem esses medos.
      Infelizmente o Manuel faleceu já depois de eu escrever este post, mas a veradde é que ele continua a ser uma grande ajda e inspiração para os que padecem da mesma doença. Dizem que o livro dele está fantástico, adorava ler.
      Beijinho*

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