Da inspiração...

Calo-me. Para então calar o que sinto, o que me move, o que está lá dentro. É no silêncio que vem tudo aquilo que faz eco num coração. É no fixar um ponto e nada dizer. É no amasso na almofada e no aconchego dos lençóis para que o frio não atropele aquele ser. Calo-me. Não sabes do que sinto, do que vivo. Dos meus planos que não mais fiz, do que não quero, do que quero. Do meu ser feliz. Calo-me. Caminho depois da meta e não sinto o corpo ruir. Não deixo de ter forças, ganho-as. Alimento-me do que me gosto. Do que me quero então agora. Deixa-se as perguntas que não têm resposta e não se insiste em pensamentos maus, em espadas ao peito e em cacos perdidos. Não se espera e muito menos se desespera. Calo-me. Um dia disse “um dia, hoje não…” hoje digo “um dia, porque não hoje?”. Mudam-se os costumes, os hábitos. Dá-se uma nova cara à parede de sarrabiscos. Termina-se o ponto que queria virar vírgula. Muda-se de linha. Quem sabe, não é essa a linha certa?


Calo-me…


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