Um murro no estômago!

Vídeo  - Para quem não viu, obrigatório ver!



«Viver Debaixo da Ponte», mais do que uma mera expressão, resume a vida de Fernando e Juan, dois homens que o destino juntou às portas de Lisboa, onde o Tejo desagua, num dos concelhos mais ricos do país.

Diariamente, são milhares os carros que lhes «passam por cima da cabeça», sem se aperceberem da existência deles. Há três anos que sentem na pele o que é viver ao relento, sem água, sem luz e com a comida e o dinheiro que cada dia “desenrasca”. Mas é neste sítio, improvável e duro, que têm tudo o que lhes resta para lá das memórias.

E é aqui que têm aquilo a que chamam lar.

Durante um mês, a TVI acompanhou os dias e noites destes dois homens que lutam por um amanhã melhor e que não se desculpam com as circunstâncias da vida que os empurrou para este lugar, onde é tão fácil desistir. 

Esta é, acima de tudo, uma história de dignidade.

Juan e Fernando são parte dos números e o rosto da pobreza em Portugal. São apenas dois nomes, de tantos, que enchem esta Europa de pessoas sem um lar. É aqui, em Espanha ou na Grécia...
 
São dois rostos, duas vidas, que ficaram reféns de uma crise. Juan é cubano e está há dez anos em Portugal.
 
Fernando, na idade em que a reforma deveria ser um conforto de uma vida, vive com pouco mais de cem euros garantidos por mês de uma pensão.



Daqui.


 


Quando vi a resportagem virei-me para a minha mãe e disse-lhe "a sério que às vezes lamentamo-nos do que temos?" ao que a minha mãe respondeu "Há gente com tão, mas tão pouco e outros que se queixam do tanto que têm ser sempre insuficiente".


Apraz-me dizer que a Tvi já fez saber que depois da reportagem receberam inúmeros contactos de pessoas a quererem ajudar o Sr. Fernando e o Ruan. Eu nunca duvidei que Portugal, apesar dos pesares, é feito de muita gente com um enorme coração que vê na partilha e na ajuda, alguma coisa que nos faz ser melhores. Sem olhar a quê e a quem. E sem precisar de estandartes em nós mesmos para o fazer saber.

Comentários

  1. Vi a reportagem na altura em que a passaram pela primeira vez e pensei precisamente isso: que às vezes nos queixamos sem razão, e que não iria demorar muito até que alguém lhes desse a mão. Somos um país solidário, e é o que nos vale.
    Milhares de pessoas passam diariamente sobre aquela ponte - eu própria passei lá hoje de manhã. De preocupados que estamos, com a pressa de chegar ao trabalho e a atenção que temos de dar ao trânsito, nem nos ocorre que há dramas tão maiores do que a nossa pressa, e que há milhares e milhares de pessoas que trocariam de lugar connosco com a maior das boas vontades... :-(

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quantas vezes não nos acontece. Queixarmo-nos porque o dia não correu bem, porqwue estamos chateados com alguma cosa e falamos mal da nossa vida. Queixando-nos de tudo e mais alguma coisa. E depois levamos com exemplos destes pela cara fora e é uma chapada tão grande.
      Ao nosso lado, em qualquer parte do país haverá exemplos destes. E para que se possam ajudar devem ser divulgados.
      Bem-vinda Anacb ;)

      Eliminar
  2. Eu vi a reportagem e tal como tu também disse "e queixamo-nos nós de coisas sem importancia nenhuma?"
    Confesso que as lagrimas saltaram algumas vezes, especialmente quando a filha foi visitar o pai. Caramba...vidas que nos passam ao lado. Quantas haverá aqui para os meus lados?
    No final da reportagem e em conversa com o maridão comentei que certamente haveria gente que iriam oferecer-se para  ajudar.
    Somos um povo solidario.
    Não sei se leste este meu post http://marrocoseodestino.blogs.sapo.pt/solidariedade-precisa-se-11878
    em que pedia ajuda para um jovem casal. Felizmente têm tido varias ajudas.
    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É muito bom ver que as pessoas do pouco que possam ter partilhem. Só mostram o sentido de valores que tem. Porque é mesmo assim, em todo o lado bem perto de nós, há alguém cujo sofrimento seja incalculável...

      Eliminar
  3. Não vi, mas fiquei curiosa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já deu mais que uma vez porque houve muita gente a ajudar.
      É tão bom saber disso :)

      Eliminar
  4. Perdoa as minhas lamentações. Gente com tão pouco e eu ainda tenho tecto e comida na mesa. bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As nossas lamentações. Porque quase todos lamentamo-nos de algo que é tão secundário quando realmente pensamos e abrimos os olhos...

      Eliminar
  5. É a triste realidade que mora ao lado da nossa porta, uns vem outros não se apercebem. Histórias de vidas que pelos vários motivos deram um resultado negativo nas vidas destas pessoas.
    Passam por nós durante o dia, deambulando entre a multidão que se acotovela no no caminho para os seus empregos ou no regresso a suas casas, mas só há noite é que damos conta da dimensão da miséria que grassa a nossa volta, pessoas como nós ali deitados sobre um cartão e cuja história não sabemos por falta de coragem em nos aproximar-mos. A nossa história, felizmente não é essa, mas não estamos livres de um dia nos bater a porta.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade. E eu só peço que essa história nunca me bata á porta nem dos meus e que eu possa não ter muito mas tenhas sempre que possa partilhar com mais um. É o "lema" lá de casa.

      Eliminar
    2. Na maioria dos portugueses, felizmente  o lema é esse!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Isto não acaba aqui!

Curtas da Vida!