Os corredores dos hospitais são-me frios #2

Para quem me segue no facebook apercebeu-se que ontem a minha noite foi passada nas urgências de um hospital. E aquelas salas de espera são antipáticas, digamos. Passar o tempo ali é necessário e pensar na morte da bezerra não ajuda em nada. Nem o barulho da porta automática sempre a abrir. Nem ajuda as gargalhadas dos colaborados que estão dentro dos guichés. Nem mesmo o Candy Crush para passar tempo. Há que tentar brincar com a situação e encontrar piada em alguma coisa. Houve algumas, a melhor o bombeiro que me fez virar a cabeça só pelo tom de voz… depois ouvir a chamarem os doentes para a sala de triagem e aperceberes-te que a conjugação do teu nome não é assim tão má como outras por aí. Ou até a de no guiché alguém dá o contacto em tom tão alto que apeteceu-me mandar-lhe um sms a dizer "fale mais baixo"!!


Mas depois há uma sala muito mais medonha. Onde me puseram uma pulseira para acompanhante e me mandaram para lá. Aquela sala de espera pós medicação para observação. Ali as pessoas não sorriem, têm no rosto a ansiedade e o medo. A dor, a tristeza. Só vi sorrisos quando os senhores vieram oferecer um café ou um chá. E vê-se casos que te deixam pequenina e a não querer saber porque há tanta coisa má a poder acontecer a nós que vivemos e devíamos ter o direito de viver com saúde. Pelo menos. O resto, o resto vem.


Falarem-me de nomes que não percebo é meio caminho andado para procurar na internet o que não se deve. Visto que se encontra tudo o que não se quer. Btw também sentem que os médicos têm um língua português-chinês que ninguém percebe?


Cheguei a casa já perto da meia-noite e comi alguma coisa para enganar o estômago visto que não jantei. Aterrei de seguida tal o cansaço que trouxe da espera. Acordei cansada ainda. A ansiedade cansa. A espera mói.

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