Das histórias da vida...

Hoje acordei com uma mensagem do facebook a lembrar as minhas memórias:


"Faz sete anos de amizade no facebook com o "João""



"O João foi, durante anos largos, o meu melhor amigo. Conheci-o com quatro anos e passámos juntos todas as fases parvas:

- a de eu o odiar simplesmente porque era rapaz e parvo;

- a de ele não me suportar porque eu era uma pitinha estúpida;

- a de eu o amar platonicamente porque era um caloiro de Filosofia com quem os temas de conversa não se esgotavam;

- a de ele me achar piada porque tinha uma lata descomunal;

- a das conversas telefónicas prolongadas, dos toques para o bip, das primeiras sms;

- a de eu acreditar que nunca teria hipóteses com ele porque me via como uma irmã mais nova;

- a de ele acreditar que nunca poderia ter nenhuma relação comigo porque era demasiado fútil e só andava combetinhos e surfistas da banheira;

- a das cartas escritas à mão e postais de design enviados em tempos de férias;

- a de ambos nos conformarmos e de partirmos para outras;

- a de ele arranjar namoradas atrás de namoradas e de eu delirar cada vez que não resultava;

- a de eu arranjar namorado e lhe contar em primeira mão que tinha perdido a virgindade;

- a de ele acreditar que o meu namoro não ia durar por aí além;

- a de eu perceber que o namorado tinha vindo para ficar e o que sobrava da história com o João era uma belíssima amizade;

- a do João se lembrar que era agora ou nunca;

- a de nos termos enrolado;

- a de um de nós perceber que o enrolanço não tinha sido a melhor das ideias;

- a de nos zangarmos;

- a de eu voltar para o namorado que ele odeia;

- a de ele arranjar uma namorada- desta vez mesmo à séria- e eu (obviamente e de forma assumidamente ressabiada) achá-la uma baleia;

- a de não nos zangarmos, mas simplesmente deixarmo-nos de falar.

 

O João continua a ser o meu melhor amigo. Sinto que, apesar do desfecho, foi maravilhoso tê-lo tirado de cima do armário.  E, ainda que sem nos vermos e nem nos falarmos, penso que finalmente acertámos o passo e estamos em sintonia. Acabaram-se os encontros. Mas também os desencontros. Tenho saudades.

Mas gaja que é gaja tem ou já teve um João."



Não podia deixar de partilhar (e não sei se já o fiz antes) este texto da Pólo Norte que me marcou há tanto tempo... porque afinal de contas, gaja que é gaja já teve um "João". E a amizade com o "meu" "João" faz hoje sete anos no facebook, mas muitos mais na vida.


E, ainda que sem nos vermos e nem nos falarmos, penso que finalmente acertámos o passo e estamos em sintonia. Acabaram-se os encontros. Mas também os desencontros. Tenho saudades.

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