Pressão psicológica.
Aquando um dia destes, o telefone da empresa tocou e fui eu a atender.
"Estou sim?"
Do outro lado uma voz seca, directa e num tom desagradável, nada simpático:
"Olhe estou a ligar porque há um menino x que foi abandonado pelos pais e tem uma doença grave e está a morrer, precisa de dinheiro para a cura, quer ajudar?"
Começo eu, de testa franzida pelo tom da senhora, como se a mesma me pudesse ver: "Olhe desculpe, sabe, eu sinceramente.." interrompendo-me diz-me "não quer ajudar? Sabe que, ele já foi abandonado pelos pais e se você também não o quer ajudar ele vai morrer!".
...
...
Fui fria, engoli em seco meia dúzia de vezes e só lhe consegui dizer que, sempre que posso ajudar alguém que precisa eu tento. Desliguei a chamada ainda a tempo de a ouvir dizer "olhe que deus esteja consigo!" com um tom não menos arrogante que toda a conversa.
Não consegui tirar aquilo da cabeça e a voz da senhora entoava-me. Fiz uma chamada solidária para a ONV só para ouvir que ajudei uma criança a sorrir, não para me justificar com o que quer que seja, já não é a primeira vez que tento contribuir na onv ou de outra maneira possível das tantas que há. Mas aquela voz não me "largou". O dia correu-me mal. Cheguei a casa ainda meia incrédula e desabei em lágrimas enquanto contava aos meus pais. Que rapidamente me fizeram "desanuviar" o problema.
A senhora não se identificou, não houve mais dados, zero de informações, foi somente aquilo. Mas aquilo foi suficiente para eu me sentir mal e ter um misto de emoções internas que só consegui extravasar quando chorei de raiva e partilhei o que me aconteceu.
Não me martirizei mais por isso, infelizmente sei que todos os dias há crianças em luta pela vida e que todos nós temos o dever de ajudar quando pudemos. Não chegamos é com as mãos a todos. É um facto. E sou uma desconfiada em pedidos de ajuda principalmente à distância, nada identificados. A vida faz-nos assim. Um miúdo na rua pede-me dinheiro para comer, ou pago-lhe a comida se quiser ali na zona, não dou dinheiro para cair nas mãos de outros.
Gosto imenso de ajudar, mas não gosto de pressões psicológicas.
Confesso, senti uma raiva que, ainda hoje, não consigo explicar.
Fico revoltada com essas coisas... por vezes podem ser aldrabices... não podes fiar-te num telefonema!!
ResponderEliminarFoi o meu pensamento. S* uma pessoa de bom coração em busca de ajuda não faria de um telefonema uma pressão psicológica sobre um assunto tão grave e que emocionalmente nos toca a todos..
EliminarMuito estranho esse telefonema...não dá informações, apenas diz para ajudares uma criança.
ResponderEliminarSe dissesses sim, eram capazes de te facultar informações, tipo morada e/ou NIB e isso.
Burlões há muitos, é fácil montar um esquema desses.
Mais que fácil Mafalda.
EliminarAté porque com um familiar meu mais idoso já aconteceu uma situação do género.
Mas a partir do momento que me repetiu a parte do "s não dá ele morre" até fiquei sem palavras para tentar saber mais. Revoltou-me o tom de voz.
Olá,
ResponderEliminarSomos "novas" por aqui, mas já gostamos de ler o seu blog.
Perante a situação que nos conta no post, teríamos a mesma atitude, até porque já nos aconteceram situações semelhantes e nunca sabemos em que acreditar.
Não tem de ficar a pensar nisso, até porque como disse, a senhora foi "seca" na sua conversa.
Beijinhsos e resto de boa semana!
Isabel
Lucília
Obrigada por cá passarem e voltem sempre :)
EliminarBem vindas ao mundo dos blogs. É um "bichinho" bom ;)
É preciso ter cuidado com telefonemas do género, há muita maldade por aí infelizmente.
Sou sempre muito desconfiada de abordagens como essa. Acho que fizeste muito bem. Eu faria o mesmo.
ResponderEliminarObrigada! São situações do caneco...
EliminarJá recebi chamadas semelhantes, mas esta é mais grave e acredito que seria fraude.
ResponderEliminarNão fique com peso na consciência porque chamadas destas é para isso mesmo: exercerem pressão psicológica e levar as pessoas a colaborar.
Mas eu ficaria sensível, também.
Estas coisas magoam.
Além de magoar fez.me pensar em pessoas que possam receber este tipo de chamadas e que sejam um fraude e possam cair...
EliminarEu detesto esse género de abordagens/chantagens psicológicas. Essa foi muito violenta e provavelmente era fraude. Mas há outras "oficiais" e de movimentos legítimos que me deixam extremamente irritada e acabam por minar a credibilidade da causa. O próprio banco alimentar está a chantagear-nos e manipular-nos quando mete crianças a distribuir os sacos. Tira-me do sério.
ResponderEliminar>Há muita coisa no meio disto que não percebo...
EliminarEm primeiro lugar,muitos parabéns pelo teu destaque!! Em segundo lugar,chantagem psicológica é horrível,eu,graças a Deus,desde que tenho a minha depressão,sempre me dei bem com todas as psicólogas que já tive,nunca tive problemas,com elas,falo sobre tudo e mais alguma coisa,elas são um espectáculo para mim!!
ResponderEliminarnunca tive nenhum desses telefonemas, mas se tivesse teria reagido exatamente como tu.
ResponderEliminarbjs
É daqueles que ficam algum tempo a matutar cá dentro...
EliminarHá pessoas muito persuasivas e com más intenções.
ResponderEliminarJá me aconteceu parecido, num tom autoritário, como se tivesse obrigação, quando lhe disse que estava desempregada, desligou o telefone...
Por isso não te sintas mal com isso! Eu penso que organizações sérias não telefonam para casa dos outros a exigir, principalmente!
O tom foi o que mais me surpreendeu...
EliminarSinceramente acho que se fosse um pedido de ajuda sincero e ponderado não teriam respondido assim.
ResponderEliminarÉ isso mesmo...
EliminarTenho um coração de manteiga, mas com situações destas duvidosas sou implacável.
ResponderEliminarNão te sintas culpada, isso era burla certamente. Eu faria o mesmo e tal como tu, também não dou dinheiro.
ResponderEliminarxoxo
marta